quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Revista de Imprensa

Um saco bem grande de problemas

Depois da quadra festiva, em que o consumo de sacos de plástico sobe em flecha, multiplicam-se os problemas que provocam a nível ambiental. Acumulam-se em 'ilhas' no Pacífico, matam animais, mas mesmo assim são usados aos biliões.
Desde que foi criado, o saco de plástico tornou-se uma das mais úteis invenções do século XX. Mas este sucesso tem graves implicações ambientais. Sabia que a nível mundial são consumidos 500 biliões de sacos de plástico por ano? E que um por cento deles acaba como resíduos, que, transportados pelo vento, entopem redes de esgotos, provocando inundações ou contaminando a água e o solo?

O maior problema dos sacos de plástico é o facto de serem gratuitos. Quem diz que não a um objecto útil e que ainda por cima não custa nada? As empresas agradecem. Ajudam o cliente a baixo custo e ainda vêem a sua marca publicitada em todo o lado por onde o saco passa. Foi por isso que a primeira medida tomada contra o "flagelo" dos sacos de plástico foi dar-lhes um preço. Algumas superfícies comerciais já cobram sempre que o cliente leva um saco, normalmente dois cêntimos por unidade. Isto levou a uma diminuição do consumo de sacos de plástico no País. Nos supermercados Pingo Doce, um dos que começaram a cobrar pelos sacos, registaram-se quebras de 40% no número de pessoas que os usavam. Esta diminuição representa menos 400 toneladas de sacos de plástico depositados em aterros.

O problema dos resíduos destes sacos é tão grave que já existem ilhas apenas constituídas por lixo no Norte do Pacífico - uma delas tem uma superfície que equivale a sete vezes o tamanho de Portugal Continental. Isto torna-se ainda mais grave se pensarmos que os animais marinhos têm alguma dificuldade em distinguir o lixo do resto das coisas que andam no mar. As tartarugas, por exemplo, comem os sacos de plástico pensando que se trata de medusas. Depois morrem porque não conseguem submergir em busca de alimento. Os albatrozes também os confundem com alimento, dando-os de comer à suas crias, que acabam por morrer. Os peixes sofrem com o plástico de maneira diferente. Os químicos provocam mudanças nos seus corpos, tornando os machos em fêmeas, o que pode significar o fim de certas espécies, por não conseguirem reproduzir-se.

Criado em 1998 pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), o "saco verde" está disponível em cerca de 20 superfícies comerciais e é uma boa alternativa ao comum saco de plástico. É mais resistente e pode ainda ser reutilizado e trocado numa destas lojas quando estiver danificado.

Outra solução são os plásticos biodegradáveis. Feitos com 50% de fécula de batata e 50% de biopolímeros, estes sacos saem mais baratos ao produtor e decompõem-se em entre 10 e 45 dias.
Fonte: Jornal Diário de Notícias, 4 de Janeiro de 2009

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